Em junho de 2026, a More in Common Brasil iniciou a primeira fase do ciclo formativo Atuar à luz do Brasil Invisível — o primeiro programa de orientação estratégica baseado na segmentação O Brasil Invisível.
Ao longo de duas semanas, realizamos imersões presenciais em São Paulo, Rio de Janeiro e Belém, reunindo 28 organizações da sociedade civil, com atuação em campos diversos, desde pesquisa, comunicação, filantropia, clima, infância e outros. Em um dia e meio, os participantes mergulharam no estudo de segmentação da população brasileira para, a partir dos dados, aprimorar suas próprias atuações.

Da pesquisa à decisão
Muitos atores estratégicos já tinham lido o estudo produzido pela More in Common Brasil e conheciam os seis segmentos – Progressistas Militantes, Esquerda Tradicional, Desengajados, Cautelosos e Patriotas Indignados. Sabem que a sociedade brasileira é mais complexa do que a polarização petistas x bolsonaristas e que há a necessidade de estabelecer diálogos e estratégias mais segmentados e baseados em evidências para abarcar a multiplicidade de posições e valores dos brasileiros.

O Ciclo Formativo é um espaço de discussão e criação de ferramentas e estratégias para que o conhecimento das pesquisas possa impactar o cotidiano e as práticas das diversas organizações envolvidas.
A lógica pedagógica do ciclo vai do conceitual ao aplicado, do individual ao coletivo, do nacional ao local. Nessa primeira etapa, foi aplicada uma abordagem ampla, focada na familiarização da segmentação como instrumento estratégico.
O coração do ciclo: o caso modelo Santa Cláudia d’Oeste
O momento mais marcante da imersão foi o jogo criado para a formação. O Caso Modelo Santa Cláudia d’Oeste é um RPG estratégico desenvolvido pelas consultoras Stephanie Sacco e Amanda Segnini especialmente para o ciclo.

Com ele, os participantes são colocados dentro de uma cidade fictícia do interior — uma comunidade cafeicultora onde drones de pulverização de agrotóxico da maior empresa local estão causando adoecimento. A Câmara Municipal vai votar o projeto que proíbe os drones. A Frente Serra Sem Veneno tem poucas semanas para construir maioria — sem que a cidade entenda que a entidade é “contra o café, contra os empregos e contra Santa Cláudia”.
O conflito não é sobre meio ambiente. Envolve trabalho, saúde, poder econômico, fé, raça e democracia. E cada personagem da cidade faz parte de um dos seis segmentos do Brasil Invisível.
É um jogo colaborativo, onde não existem vencedores. Os grupos precisam entender quem é quem, o que move cada pessoa, o que as afasta — e que linguagem cria pontes. A segmentação deixa de ser uma lente analítica e se torna uma ferramenta de decisão.
“A pesquisa ficou muito mais viva quando tivemos que aplicar os segmentos a uma situação concreta, com personagens, território, conflito, interesses e dilemas reais de comunicação e construção de maioria”
Depoimento de um dos participantes
A dinâmica suscitou insights importantes entre os participantes, com repercussões para o modo de atuar das organizações. Entre eles a necessidade de entender com qual segmento a entidade já fala — e com quais tem dificuldade de se comunicar. E pensar estrategicamente de que maneira entrar em problemas complexos, encontrando pontos de convergência antes negligenciados.

O que vem a seguir
O ciclo continua. Em julho, haverá encontros online por eixo temático. Em agosto, promovemos o encontro nacional com leitura da disputa das eleições gerais. Entre agosto e setembro, as oficinas de implementação traduzem os aprendizados em estratégias concretas em meio à campanha eleitoral.
Se você quer saber mais sobre o ciclo ou explorar como sua organização pode se envolver nas próximas edições, entre em contato: contato@moreincommon.org.br
