40% dos brasileiros confiam menos em influenciadores, artistas e atletas que anunciam bets

Depois de medir o impacto das apostas esportivas online para o esporte e a divisão da responsabilidade política pelo seu crescimento, a pesquisa More in Common/Ipsos-Ipec tentou entender um terceiro efeito colateral das bets: o desgaste de reputação de quem as anuncia. A nova pesquisa nacional mostra que a publicidade de apostas tem um custo de confiança — e que ele recai sobre o público mais valioso para o mercado publicitário.

“A pesquisa More in Common/Ipsos-Ipec traz evidências robustas: 40% dos brasileiros não confiam ou passam a confiar menos em influenciadores, artistas e atletas que fazem propaganda de bets”, afirma Pablo Ortellado, diretor-executivo da More in Common Brasil.

Numa pergunta aberta sobre o que pensam de quem anuncia apostas, 51% das respostas foram negativas — 22% descrevem quem faz esse tipo de publicidade com crítica morais, como “irresponsável” ou “sem ética”, e 17% dizem que é má influência que explora as pessoas. Apenas 10% têm visão positiva.

“O percentual de desconfiança é maior entre os mais escolarizados (48% entre quem tem ensino superior) e quem tem mais renda (46% entre quem ganha mais de 5 salários mínimos) — justamente os setores mais importantes para o mercado publicitário”, observa Ortellado.

A rejeição não é abstrata, vem como consequência de casos com repercussão nacional. Em novembro de 2024, o The Intercept revelou que o ex-BBB Felipe Prior tinha um contrato com a casa de apostas Betsat que lhe pagava 15% da receita gerada pela perda de novos apostadores que ele levasse à plataforma. Em maio de 2025, a influenciadora Virginia Fonseca admitiu na CPI das Bets que usava contas falsas para simular ganhos em apostas online enquanto se apresentava como uma influenciadora responsável.

“Os dados sugerem um trade-off pouco percebido por quem aceita esses contratos: a receita imediata da publicidade de apostas é alta, mas a erosão de confiança é elevada e se concentra nas faixas de maior renda e escolaridade”, diz Ortellado. “O influenciador troca, portanto, um ganho certo hoje por um desgaste de reputação no público que sustenta sua própria capacidade de monetização no futuro.”

O alerta chega em um momento de expansão do investimento publicitário do setor: estimativa do Itaú aponta gastos entre R$ 5,8 bilhões e R$ 8,8 bilhões em marketing de apostas em 2024, o patrocínio máster da Série A do Brasileirão cresceu 125% em dois anos e as bets já são o terceiro maior anunciante da TV brasileira.

Acesse todos os dados da pesquisa abaixo.

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